terça-feira, 28 de abril de 2009

Fai la furba!

Não aprendi muitas palavras na viagem para a Itália: Grazie, Prego, Per favore... Mas a expressão Fai la Furba ficou na memória! Talvez, porque soa muito engraçado!
Estavamos viajando de volta à Italia, num trem de Zurique para Florença (já postei alguma coisa sobre essa viagem, de como conseguimos jantar nesta noite). Como era de costume nas viagens noturnas de trem, eu e minhas 3 companheiras de viagem corríamos para dentro do trem assim que era permitido o embarque para conseguirmos uma cabine vazia onde poderíamos nos acomodar melhor. Cada cabine tinha 6 assentos, 3 a 3 virados para o centro. Cada cadeira se abria um pouco, e se abríssemos as seis, ficava tipo uma "camona" onde nós 4 podíamos nos esticar e dormir relativamente confortáveis. A nossa tática para que ninguém quisesse entrar na nossa cabine era a seguinte: assim que entrávamos, já esticávamos as cadeiras, espalhavamos nossas mochilas, apagávamos a luz, e fingíamos que estávamos dormindo. Quando alguém abria a portinha procurando por um acento, a minha prima doida roncava bem alto para espantar o entrometido.
Bom, felizmente tivemos êxito em todas as viagens noturnas, pois conseguimos dormir deitadas e chegar ao nosso destino sem dores nas costas e prontas para um dia inteiro de exploração. O único susto que passamos foi na fronteira com a Itália. Era de madrugada, estávamos todas dormindo pesado pois já não havia perigo de ninguém querer entrar na nossa cabine e atrapalhar nosso conforto, quando de repente abriram a porta da cabine, acenderam as luzes e começaram a falar alto. Eram alguns policiais, oficiais, ou "sei lá o quê" da fronteira. Queriam ver nossos passaportes, mas como a grande maioria dos italianos, ao verem quatro mulheres, quiseram também fazer gracinha. Um começou a chamar o outro e em poucos segundos tinha uns 4 caras revistando nossas malas, perguntando se estávamos vindo da Holanda, derramando vidros de shampoo e perguntando se tinhamos drogas... É claro que estávamos incomodadas com a atitude invasiva, mas a minha prima parecia estar em choque! Estava num cantinho abraçada com a mochila dela, quando o cara virou pra ela e gritou: "fai la furba!" Logo depois eles nos deixaram em paz e passado o susto, perguntamos à minha irmã que falava italiano, "que é Furba?" e ela disse que era alguma coisa assim, tipo "Espertinha". Aí a expressão virou hit da viagem, tudo era "fai la furba".

sexta-feira, 27 de março de 2009

Memória seletiva



Nunca fui muito disciplinada para escrever.

Sabe quando você é criança e todas as meninas tem os seus "diários"? (Na minha época era moda aqueles com uma chavinha, nos aniversários a gente ganhava um monte!). Então, acho que na época eu devo ter começado a escrever uns quatro, mas nunca fui até o fim.

Já na adolescência o negócio era ter a tal da "agenda gorda". Eu explico este "gorda": a moda era colar de tudo nas agendas, frases e fotos recortadas da revista Capricho (quem não leu?), papel de bala que alguém te deu, bilhetinhos das amigas, ingresso do cinema, etc, etc, etc... Pois é, todo ano eu começava uma agenda. Passava horas fazendo uma capa legal, os primeiros dias do ano eram uma maravilha, mas antes de março acabar (nem lembro se cheguei tão longe!) a agenda já ficava esquecida.

Agora a ferramenta é o Blog. E estou tentando manter um certo rítmo na escrita neste aqui. O problema é que muitas coisas interessantíssimas aconteceram nestes 30 anos da minha vida, e infelizmente por falta de disciplina, não foram registradas nem no diário e nem na agenda...

Este blog como eu já disse antes é meu espaço de memórias, tudo que eu achar relevante relembrar e registrar será relembrado e registrado, mas é claro que sem uma ordem cronológica. Nem sei se vou conseguir me lembrar de tudo, nem se terei paciência de escrever tudo, mas vou tentar.

Uma vez a Irmã Diretora da minha escola (Irmã Dulce) foi nos dar boas vindas no primeiro dia de aula, e disse o seguinte: "Nós aprendemos muita coisa na escola, e ficamos preocupados em nos lembrar de tudo. Mas o nosso cérebro não foi feito para lembrar, e sim para esquecer, pois as coisas realmente relevantes a gente com certeza nunca esquece."

É claro que só vou me lembrar do que quero lembrar! ; )

segunda-feira, 23 de março de 2009

Passando fome na Europa

Este foi um dos dias mais engraçados da minha vida!
Quatro garotas de vinte e poucos anos, viajando pela Europa de trem. Não havia Euro ainda, e perdia-se bastante com o câmbio. Estávamos vindo da Itália, onde na época 1 real valia 1000 liras, e era bem barato para a gente. Para se ter uma idéia, dava pra comprar três "bottiglie" de vinho com 10000 liras, ou dez reais. Já na Alemanha e Suíça era diferente, o dinheiro bem mais valorizado que na Itália, e consequentemente albergues e alimentação bem mais caros. Fomos à Suiça para nos encontrar com alguns amigos em Zurique, mas acabamos nos planejando mal e ficando por lá mais tempo que o necessário. Em um dia já tinhamos visto tudo (a cidade é pequena, bonita, mas sem muitos atrativos), e ainda havia um dia inteiro até pegarmos o trem de volta para a Itália. A grana estava curta, mas como não tinhamos muitas opções, resolvemos pegar um ônibus para Lucerne e para os alpes, pois duas das meninas nunca tinham visto neve e queriam muito ver. Lembro que a passagem custou 100 dollares, que era todo o dinheiro que tinhamos para aquele dia. Resolvemos ir mesmo assim, pois podíamos passar fome, mas não podíamos deixar de ver os alpes!
Então tivemos que improvisar. No café da manhã do albergue, além de comermos feito loucas, enchemos nossas mochilas com o que dava. Até embalagenzinhas de patê que tinha um formato de salcicha e um gosto estranho pra burro. No meio da tarde, deu pra fazer um lanchinho! Ao regressar em Zurique, sabendo que passariamos a noite no trem, bateu a fome novamente. As quatro então juntaram todas as moedinhas de Franco Suíço que tinhamos nos bolsos para ver o que daria para comprar no supermercado. Para nossa surpresa, não dava para nada. Uma das amigas, super gente boa, mas bem patricinha, num tom dramático e com voz de choro, disse: "Nunca passei fome na minha vida!" É claro que começamos a gargalhar, e foi aí que começei a reparar que os carrinhos do supermercado para serem retirados, o cliente precisava colocar uma moeda de 1 Franco, a qual seria devolvida na hora que o cliente devolvesse o carrinho no devido lugar. Por sorte vários suíços ou eram bem preguiçosos ou não estavam nem aí para as suas moedinhas. Chamei as 3 e falei: "Fiquem de olho nos carrinhos perto do caixa que não foram devolvidos, tragam para mim!" Depois de uns 10 minutinhos deste trabalho "voluntário", já tinhamos mais que o suficiente para um bom lanchinho, que seria saboreado no trem, a caminho de Florença...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Priceless...

Ter a oportunidade de viver parte da infância em outro país é uma das coisas que não tem preço...

Aos 8 anos tive a chance de ir para Boston com minha família e viver lá por um ano.

Curiosamente foi o ano da minha infância que tenho as memórias mais nítidas. Lembro-me dos lugares, dos cheiros, da temperatura, dos sons... Aprendi muita coisa sobre a cultura americana e visitei diversos lugares num só ano. Tive a oportunidade de frequentar duas escolas diferentes, numa delas a maioria dos alunos eram filhos de imigrantes e na outra quase não havia crianças estrangeiras. Lembro-me claramente da sala de aula acarpetada e das carteiras agrupadas em pequenos grupos com um aluno de frente para o outro, bem diferente da disposição tradicional que eu estava acostumada no Brasil. Lembro-me da neve, de descer pequenos morros num "sled", de juntar latinhas de refrigerante e trocar cada uma por 1 nickel na grocery store. Lembro-me da minha irmã aos 12 anos ganhando um bom dinheirinho como baby-sitter (quem tem coragem de deixar suas crianças com uma estrangeira de 12 anos de idade que você nunca viu na vida??? lá tinha bastante gente!!!).

Este foi o ano de 1987 e começo de 1988. Chegamos ao aeroporto e nos deparamos com a neve (foi a primeira vez!), vivemos as quatro estações, fomos para NY, Florida, Disney, Montreal e muitos outros lugares interessantes. Visitamos a casa das bruxas de Salem, ao Museu das Crianças, Museu da Ciência, participamos do Helloween, fomos à casa que JKF viveu na infância, aprendemos quem foi John Hancock, e por aí vai...

Resumindo: Living in a foreign country when you are a kid is priceless...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Butterflies in my stomach

Vou tentar...

Estou ensaiando para criar um blog faz tempo, cheguei a abrir este há uns meses para garantir o título mas não havia postado nada.
Vou tentar fazer deste Blog um relato das coisas mais importantes da minha vida, com certeza vai ficar sem cronologia, pois já tenho 30 anos e coisas importantes vem acontecendo desde o dia que nasci! Portanto, a medida que vier a inspiração e a vontade de escrever falarei de eventos passados, viagens e experiências recentes.
Assunto de hoje: Butterflies in my stomach
Uma coisinha a meu respeito: adoro estudar línguas e em especial a lingua inglesa. Adoro as expressões, gírias e provérbios do inglês (provavelmente usarei vários nos textos futuros, se isto te irrita, pare de ler!!!).
Esta é uma expressão que adoro. Uma ótima definição do seu real significado você encontra aqui - caso esteja com preguiça de olhar, eu resumo: é aquela sensação de frio na barriga, como se houvessem borboletas batendo asas dentro do nosso estômago toda vez que nosso organismo libera adrenalina, seja por ansiedade, paixão, medo, etc.
Sabem de uma coisa? Eu A D O R O viver com esta sensação. A D O R O ! É sinal de que alguma coisa diferente está por vir, ou que estou apaixonada, ou que há alguma mudança eminente.
É aquela sensação que sentimos ao entrar em um avião, ao ir a algum lugar pela primeira vez, ao ver a pessoa que a gente ama, ao ficarmos ansiosos quando aguardamos alguma resposta, ao viver alguma aventura, ao se emocionar por algum motivo...
É assim que eu quero viver, sempre com butterflies in my stomach.